Cardiologia · Prevenção

Entendendo o Risco Cardiovascular: Categorias e Metas de LDL pela Diretriz SBC 2025

Saber qual é a sua categoria de risco cardiovascular é o primeiro passo para prevenir infarto, AVC e morte por causa cardíaca. Este guia organiza, com base na Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025, as cinco categorias de risco e as metas ideais de LDL-c, não-HDL e ApoB para cada uma delas.

📅 Publicado em 15 de maio de 2026 · ✍️ Revisado pela equipe médica da Clínica Biocardio · 📚 Baseado na diretriz oficial da SBC

Por que o risco cardiovascular importa?

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil — segundo o Ministério da Saúde, mais de 300 mil brasileiros morrem por ano de infarto e AVC. A boa notícia é que a maior parte dessas mortes pode ser prevenida com o controle adequado de fatores de risco como colesterol, pressão arterial, diabetes e tabagismo.

Para padronizar essa prevenção, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicou em 2025 a nova Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, que classifica cada paciente em uma das cinco categorias de risco cardiovascular e define metas específicas para o colesterol — quanto maior o risco, mais agressiva deve ser a meta.

📌 Em resumo: seu cardiologista calcula seu risco em 10 anos, identifica a categoria correspondente (baixo, intermediário, alto, muito alto ou extremo) e estabelece metas individualizadas de LDL — o "colesterol ruim" — para reduzir suas chances de evento cardíaco.

🎯 Metas Lipídicas Recomendadas por Categoria de Risco

Fonte: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose — SBC 2025 (Tabela 5.1)

Cada categoria de risco tem uma meta de LDL-c diferente. Quanto maior o risco cardiovascular, mais baixo o LDL-c precisa estar. Além do valor absoluto, a diretriz exige uma redução percentual mínima em relação ao nível basal — porque o impacto na aterosclerose depende tanto do quanto se reduz quanto do valor final atingido.

Categoria de Risco LDL-c (mg/dL) Redução do LDL-c Não-HDL (mg/dL) ApoB (mg/dL)
Meta primária Meta primária Meta coprimária Meta secundária
🟢 Baixo < 115 ≥ 30% < 145 < 100
🟡 Intermediário < 100 ≥ 30% < 130 < 90
🟠 Alto < 70 ≥ 50% < 100 < 70
🔴 Muito alto < 50 ≥ 50% < 80 < 55
⚫ Extremo < 40 ≥ 50% < 70 < 45

*Risco extremo: histórico de múltiplos eventos cardiovasculares ateroscleróticos maiores ou 1 evento maior com pelo menos 2 condições de alto risco.

📌 Sobre as metas: a meta primária é o LDL-c. O não-HDL e a ApoB ganham particular relevância como metas coprimária/secundária quando os triglicerídeos estão elevados: > 150 mg/dL em jejum ou > 175 mg/dL sem jejum (pós-prandial), e também em pacientes com diabetes ou síndrome metabólica.

Abreviações: DM2 = Diabetes Mellitus tipo 2 · EAR = Estratificadores de Risco · EMAR = Estratificadores de Muito Alto Risco · CAC = Cálcio Arterial Coronário · UA = Unidades Agatston · LDL-c = Colesterol LDL · ApoB = Apolipoproteína B · Não-HDL = Colesterol total − HDL

Como o cardiologista determina sua categoria de risco?

A definição da categoria de risco cardiovascular não depende de um único exame. O cardiologista considera, no mínimo, quatro grupos de informação:

  1. Escore de risco em 10 anos — calculado a partir de idade, sexo, pressão arterial, colesterol total, HDL, tabagismo e diabetes (Escore de Risco Global ou calculadora HEARTS).
  2. Presença de doença aterosclerótica manifesta — infarto prévio, AVC, angioplastia, ponte de safena, doença arterial periférica.
  3. Marcadores de aterosclerose subclínica — escore de cálcio coronário (CAC), placa carotídea ao ultrassom, angiotomografia de coronárias.
  4. Comorbidades agravantes — diabetes, doença renal crônica, hipertensão grave, histórico familiar de doença coronariana precoce, Lp(a) elevada.

Esse conjunto de dados permite enquadrar cada paciente em uma das cinco categorias e definir a meta individualizada de LDL-c.

❓ Perguntas Frequentes sobre Risco Cardiovascular

O que é risco cardiovascular?

Risco cardiovascular é a probabilidade estimada de uma pessoa sofrer um evento cardiovascular grave — como infarto, AVC ou morte por causa cardíaca — nos próximos 10 anos. É calculado com base em fatores como idade, sexo, pressão arterial, colesterol, tabagismo e presença de diabetes.

Quais são as categorias de risco cardiovascular pela diretriz SBC 2025?

São cinco categorias: baixo (< 5% em 10 anos), intermediário (5–20%), alto (≥ 20% ou presença de aterosclerose subclínica), muito alto (doença aterosclerótica manifesta) e extremo (múltiplos eventos prévios ou 1 evento + 2 condições de alto risco).

Qual a meta de LDL para cada categoria de risco?

As metas de LDL-c pela diretriz SBC 2025 são:

  • 🟢 Baixo: < 115 mg/dL
  • 🟡 Intermediário: < 100 mg/dL
  • 🟠 Alto: < 70 mg/dL
  • 🔴 Muito alto: < 50 mg/dL
  • ⚫ Extremo: < 40 mg/dL

Além do valor absoluto, é necessária uma redução de pelo menos 30% (baixo/intermediário) ou 50% (alto/muito alto/extremo) em relação ao LDL basal.

O que é a nova categoria de "risco extremo"?

O risco extremo é uma categoria introduzida pela Diretriz SBC 2025 para pacientes com prognóstico mais reservado: aqueles com histórico de múltiplos eventos cardiovasculares ateroscleróticos maiores (mais de um infarto, AVC ou revascularização) ou 1 evento maior somado a pelo menos 2 condições de alto risco (DM2, DRC, hipercolesterolemia familiar etc.). A meta de LDL-c é a mais agressiva: < 40 mg/dL.

Quando o não-HDL e a ApoB são importantes?

O colesterol não-HDL e a apolipoproteína B (ApoB) tornam-se especialmente relevantes quando os triglicerídeos estão elevados — acima de 150 mg/dL em jejum ou 175 mg/dL sem jejum — e em pacientes com diabetes ou síndrome metabólica. Nesses cenários, o LDL isolado pode subestimar o número real de partículas aterogênicas no sangue.

Como saber qual é o meu risco cardiovascular?

A estimativa precisa só pode ser feita por um cardiologista, que combina seus dados clínicos com escores validados e, quando indicado, exames como perfil lipídico completo, glicemia, função renal e escore de cálcio coronário (CAC). Agende uma avaliação na Clínica Biocardio para descobrir sua categoria de risco e definir metas individualizadas.

É possível mudar de categoria de risco?

Sim. O risco cardiovascular é dinâmico. Com mudanças no estilo de vida (dieta, atividade física regular, cessação do tabagismo) e tratamento medicamentoso adequado (estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9 quando indicados), muitos pacientes conseguem reduzir significativamente o risco em 10 anos.