Cardiologia · Prevenção
Entendendo o Risco Cardiovascular: Categorias e Metas de LDL pela Diretriz SBC 2025
Saber qual é a sua categoria de risco cardiovascular é o primeiro passo para prevenir infarto, AVC e morte por causa cardíaca. Este guia organiza, com base na Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025, as cinco categorias de risco e as metas ideais de LDL-c, não-HDL e ApoB para cada uma delas.
Por que o risco cardiovascular importa?
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil — segundo o Ministério da Saúde, mais de 300 mil brasileiros morrem por ano de infarto e AVC. A boa notícia é que a maior parte dessas mortes pode ser prevenida com o controle adequado de fatores de risco como colesterol, pressão arterial, diabetes e tabagismo.
Para padronizar essa prevenção, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicou em 2025 a nova Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, que classifica cada paciente em uma das cinco categorias de risco cardiovascular e define metas específicas para o colesterol — quanto maior o risco, mais agressiva deve ser a meta.
Como o cardiologista determina sua categoria de risco?
A definição da categoria de risco cardiovascular não depende de um único exame. O cardiologista considera, no mínimo, quatro grupos de informação:
- Escore de risco em 10 anos — calculado a partir de idade, sexo, pressão arterial, colesterol total, HDL, tabagismo e diabetes (Escore de Risco Global ou calculadora HEARTS).
- Presença de doença aterosclerótica manifesta — infarto prévio, AVC, angioplastia, ponte de safena, doença arterial periférica.
- Marcadores de aterosclerose subclínica — escore de cálcio coronário (CAC), placa carotídea ao ultrassom, angiotomografia de coronárias.
- Comorbidades agravantes — diabetes, doença renal crônica, hipertensão grave, histórico familiar de doença coronariana precoce, Lp(a) elevada.
Esse conjunto de dados permite enquadrar cada paciente em uma das cinco categorias e definir a meta individualizada de LDL-c.
❓ Perguntas Frequentes sobre Risco Cardiovascular
O que é risco cardiovascular?
Risco cardiovascular é a probabilidade estimada de uma pessoa sofrer um evento cardiovascular grave — como infarto, AVC ou morte por causa cardíaca — nos próximos 10 anos. É calculado com base em fatores como idade, sexo, pressão arterial, colesterol, tabagismo e presença de diabetes.
Quais são as categorias de risco cardiovascular pela diretriz SBC 2025?
São cinco categorias: baixo (< 5% em 10 anos), intermediário (5–20%), alto (≥ 20% ou presença de aterosclerose subclínica), muito alto (doença aterosclerótica manifesta) e extremo (múltiplos eventos prévios ou 1 evento + 2 condições de alto risco).
Qual a meta de LDL para cada categoria de risco?
As metas de LDL-c pela diretriz SBC 2025 são:
- 🟢 Baixo: < 115 mg/dL
- 🟡 Intermediário: < 100 mg/dL
- 🟠 Alto: < 70 mg/dL
- 🔴 Muito alto: < 50 mg/dL
- ⚫ Extremo: < 40 mg/dL
Além do valor absoluto, é necessária uma redução de pelo menos 30% (baixo/intermediário) ou 50% (alto/muito alto/extremo) em relação ao LDL basal.
O que é a nova categoria de "risco extremo"?
O risco extremo é uma categoria introduzida pela Diretriz SBC 2025 para pacientes com prognóstico mais reservado: aqueles com histórico de múltiplos eventos cardiovasculares ateroscleróticos maiores (mais de um infarto, AVC ou revascularização) ou 1 evento maior somado a pelo menos 2 condições de alto risco (DM2, DRC, hipercolesterolemia familiar etc.). A meta de LDL-c é a mais agressiva: < 40 mg/dL.
Quando o não-HDL e a ApoB são importantes?
O colesterol não-HDL e a apolipoproteína B (ApoB) tornam-se especialmente relevantes quando os triglicerídeos estão elevados — acima de 150 mg/dL em jejum ou 175 mg/dL sem jejum — e em pacientes com diabetes ou síndrome metabólica. Nesses cenários, o LDL isolado pode subestimar o número real de partículas aterogênicas no sangue.
Como saber qual é o meu risco cardiovascular?
A estimativa precisa só pode ser feita por um cardiologista, que combina seus dados clínicos com escores validados e, quando indicado, exames como perfil lipídico completo, glicemia, função renal e escore de cálcio coronário (CAC). Agende uma avaliação na Clínica Biocardio para descobrir sua categoria de risco e definir metas individualizadas.
É possível mudar de categoria de risco?
Sim. O risco cardiovascular é dinâmico. Com mudanças no estilo de vida (dieta, atividade física regular, cessação do tabagismo) e tratamento medicamentoso adequado (estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9 quando indicados), muitos pacientes conseguem reduzir significativamente o risco em 10 anos.